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18 de set de 2016

16 primaveras se despedem

aesthetic, room, and art image

Me sentindo um pouco sentimental sobre minha vidinha, então, escrevi esse texto...

Quero lembrar daquela garotinha de 12 anos que eu fui algum tempo atrás. Aquela menininha com enormes sonhos, uma pessoinha que nunca na vida se imaginaria aonde está hoje, espero que aquela garotinha de antes esteja orgulhosa da Thayná de hoje, pois eu estou. O tempo passou tão rápido, eu cresci e amadureci tanto desde aquela vez em que me apaixonei pela primeira vez e sei que ás vezes ainda sou meio infantil, mas a gente nunca para de crescer, vou continuar cometendo muitos erros mas é isso o que vai me fazer amadurecer ainda mais no final. Se eu tenho arrependimento de alguma coisa? Sim, das pessoas que deixei ir, dos sentimentos que não expressei, das coisas que deixei de fazer. Se eu me arrependo de algo que fiz? Não, pois foram todas essas coisas que me transformaram na pessoa que sou hoje e sei que ainda tenho inúmeras coisas para melhorar mas se eu pudesse escolher outra forma de ser, eu ainda escolheria ser eu mesma, com todos os defeitos e qualidades. É que demorei pra reconhecer, mas eu não sou tão ruim assim, eu gosto de ser quem eu sou, com todos os prós e contras. Acontece que ser quem eu sou hoje não é tão ruim quanto eu pensava que seria. Tenho uma vida boa, na verdade, ótima, realizei um dos maiores sonhos da minha vida antes mesmo de completar 16 anos de idade. Aquele tal intercâmbio para a França foi a melhor coisa que já me aconteceu, me trouxe novas oportunidades e ideias, me fez perceber quem sou e o que eu quero. Viver é tão bom e olha que eu ainda só estou começando. Daqui um mês eu estarei completando 17 anos e uma nova fase se iniciará, antes disso, eu só gostaria de deixar registrado que, o meu décimo sexto ano de vida, foi sem dúvidas o melhor ano da minha vida! Foi quando eu acabei conhecendo mais de mim mesma, aprendi tanto, conheci tantas pessoas e lugares, fiz o que mais amo em grande quantidade: viajar, explorar, aprender! O intercâmbio foi o ápice de tudo o que eu já vivi até hoje, é verdade, mas ainda tem muito mais por vir, 17 anos vindo aí, daqui é pouco é 18, 20, 30... E os sonhos não precisam acabar, é só continuar acreditando e realizando. Muitas outras viagens irão surgir, vários outros países, pessoas, culturas, línguas e histórias. Que o meu décimo sexto de ano de vida me traga um pouco mais de tudo aquilo que gosto. Mal posso esperar pela próxima aventura. Allez!!


Esse texto foi meio que pra mim mesma hahah mas incentivo cada um de vocês a escreverem textos para si mesmo também, dá uma sensação tão boa de poder conversar com a gente mesmo, né non?

25 de abr de 2016

8 mois en France

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Intercâmbio é nada daquilo que a gente já imaginou mas tudo aquilo que a gente sempre precisou. Nesses 8 meses eu não só aprendi mais sobre mim mesma mas também sobre o mundo e as pessoas. Não importa aonde você esteja, algumas coisas serão sempre as mesmas. Tem gente de tudo quanto é tipo em tudo quanto é lugar. As coisas são diferentes apesar de muitas outras serem iguais.
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Os primeiros três meses foram definitivamente horríveis, eu costumava pensar muito mais no Brasil e na vida que eu tinha lá, eu chorava quase todos os dias e eu odiava tudo aqui. Eu queria voltar. Eu quis tanto desistir. E eu realmente quase o fiz… Lembro-me de um dia ir a catedral à noite e me sentar sozinha no escuro perto de onde havia uma fonte e chorar por 30 ou mais minutos. Eu nem me lembro exatamente os motivos que me levaram a fazer isso mas aquele dia tudo estava indo realmente muito mal e eu não contei para ninguém. Nem pra minha família e nem meus amigos. Eu achava que ninguém me entenderia. Essa era a minha vida, a minha luta, ninguém conhecia exatamente pelo o que eu tinha passado e pelo o que ainda estava passando, eles não entenderiam meus motivos. Foram pequenas coisas que me aconteceram e se acumularam até que em um momento eu já não podia mais aguentar. Já eram quase oito horas da noite e eu recebi uma mensagem no meu celular da primeira família perguntado onde eu estava, me dizendo para voltar para casa. Casa. Essa palavra machucou. Eu quase chorava toda vez que a escutava porque na verdade aquele lugar não era minha casa e aquelas pessoas não eram a minha família. Nada se encaixava, eu não sentia como se pertencesse ali. Eu respondi a mensagem com um “estou indo”, limpei as lágrimas e reuni o que me restava de forças para levantar dali. E quando me levantei e olhei para trás me deparei com aquela vista que tanto amo, do alto da catedral eu enxergava a cidade iluminada por todas aquelas luzes artificiais e o barulho de água caindo ao meu lado… O barulho de buzina dos carros, tantas vidas acontecendo ali, em frente aos meus olhos. Eu queria ir embora pro Brasil e de repente já não queria mais. Por que na verdade eu gostava sim desse lugar, enquanto olhava para a cidade, a minha cidade, eu via o quanto iria sentir falta desse lugar, então, foi nesse momento em que eu que nem sou tão crente, fechei meus olhos e fiz um pedido aos céus, um único pedido: “eu espero do fundo do meu coração que as coisas melhorem” e o pouco de esperanças e fé que me restavam foram o que me fizeram continuar e chegar até aqui. Os céus ouviram meu pedido e tudo mudou, tudo melhorou e disso eu tirei uma importante lição “tudo vai dar errado antes que as coisas comecem a dar certo” e a vida é realmente uma eterna lição. Agora que eu me sinto finalmente em casa, me sinto em família e sei que eu amo esse lugar com cada partícula do meu corpo, eu sinto que pertenço aqui, está é a minha cidade, a minha vida e eu não quero ter de ir embora  porque “home is where the heart is”. Eu me encaixo aqui.

25 de jan de 2016

Am I too dumb to refine?



25/01/2016
Metade do meu intercâmbio já passou e agora estou praticamente na reta final. Eu só queria dizer o quanto estou feliz de estar aqui e o quanto me dói pensar que em menos de 5 meses estarei me despedindo de toda uma vida aqui para voltar ao Brasil e ver a mesma vida velha de antes com outros olhos. Isso me enche de calafrios e ansiedade. Meus amigos ainda estarão lá para mim? E se sim, será que eles mudaram tanto quanto eu mudei? E as coisas em casa? Será que algo mudou também?  Mas o que mais me assusta mesmo é a despedida. Eu sei que conheci pessoas maravilhosas aqui. Eu fiz amigos pra vida inteira que amo com todo o meu coração e só de pensar que em tão pouco tempos teremos que dizer adeus já me dá vontade de chorar. Por que a distância existe? Eu não quero ter que me separar deles. São pessoas que estiveram comigo nos meus melhores e piores dias, pessoas que fizeram parte do meu intercâmbio desde o início e que fizeram com que eu chegasse até aqui. Sem elas, eu teria desistido, eu teria voltado pra casa, eu teria feito minhas malas e embarcado num avião de volta pro Brasil. Só eu sei tudo o que passei e tive que aguentar aqui. Eu chorei pelos mais variados motivos. Eu cheguei a chorar não uma, mas várias vezes de fome. Sim, fome, está aí uma coisa que de todas as dificuldades que eu pensava que iria passar no meu intercâmbio eu não esperava. Eu sobrevivi três meses assim, as vezes com fome, as vezes mais ou menos, ok. O começo foi a parte mais difícil, eu pensei que não iria conseguir. Eu quis realmente jogar tudo pro alto e desistir. Eu odiei esse lugar. Eu odiava o país, a língua, a comida, a cultura, a escola, as pessoas. Eu sofri bullying, fui rejeitada, excluída e ignorada. E ninguém nunca percebeu o quanto eu estava mal, o que só me fez sentir pior ainda, era como se eu não importasse pra ninguém aqui, não me deram atenção, não deram a mínima pra mim. Simplesmente fingiram que eu não estava ali. Minha primeira família nunca me fez sentir em casa, somos pessoas realmente muito diferentes, crescemos em realidades diferentes e eu juro que tentei entende-los, eu me esforcei tanto. Eu sorri todos os dias porque isso parecia agrada-los, mesmo quando o meu mundo estava caindo aos pedaços eu estava lá, sorrindo, me sentando todos os dias para aquela porcaria de jantar de duas horas que era como uma tortura, falando de coisas que não me interessavam, rindo de piadas as quais eu não achava engraçadas, concordando com coisas que eu definitivamente não concordava, tudo isso só pra agrada-los. Eu fiz de tudo para agrada-los, eu tentei mudar quem eu era por eles pois sempre soube que se eu mostrasse o verdadeiro eu eles não gostariam. Eles não me conheceram de verdade e isso dói. Eu queria que eles tivessem me visto de verdade, queria ter mostrado a forma que eu vejo o mundo, eu queria tê-los ensinado um pouco mais da vida de quem não tem dinheiro jorrando para todos os lados. E é claro, metade da culpa é minha, foi eu que fiquei me escondendo e fingindo ser alguém que não era, mesmo com todas as vezes que tentei ser eu mesma e ganhei aquelas palavras e olhares de repreensão, eu devia ter tentado mais, agora, eles gostam de uma pessoa que eu não sou. Nessa brincadeira de fingir ser alguém que não era, eu acabei quase me perdendo. Quase me tornei aquela pessoa que eu fingia ser, eu estava me perdendo aos poucos e quando comecei a perceber isso, foi nesse momento que eu saquei que precisava ser quem eu sou de verdade, estava cansada de fingir, cansada de ser alguém que eu não era, cansada da vida que levava, então, tudo mudou, eu troquei de sala, eu troquei de casa e resolvi que seria quem eu sou, não importando o que os outros pensariam e eu tô bem "mais melhor" agora do que antes. Sei que "mais melhor" não existe mas se existisse essa seria a melhor forma de explicar minha situação agora, porque ela está mais que melhor, está BEM MAIS MELHOR. Eu já não odeio mais esse país. Eu gosto da cultura, das pessoas, da gastronomia, dos lugares, de tudo. Essa cidade é o meu lar. E cada pessoa que me deixou pra baixo alguma vez hoje me faz mais forte, pois eu estie sozinha e com duas opções: ou me levantar e seguir em frente ou ficar no chão. Me agarrei ao máximo no mínimo de força que eu tinha e me reergui. Eu não sou de desistir. Eu não desisto dos meus objetivos. Eu choro até não aguentar mais é verdade, mas quando as lágrimas secam eu sei que é hora de ser forte, é hora de colocar o sorriso no rosto e seguir em frente. Cada sorriso esconde alguma coisa, não só em mim, mas em todos e vai de alegria a tristeza, e os sorrisos são todos tão parecidos que fica até difícil saber qual é qual, por isso eu agora presto mais atenção nos olhos. Foi olhando nos olhos que percebi a verdade, é olhando nos olhos que se conhece alguém. Os olhos entregam o que a gente tenta esconder. A alegria, a dor, tudo. E a gente pensa que é melhor deixar tudo escondidinho mas estamos muito enganados. Teve uma vez que não aguentei o choro e as lágrimas caíram na frente de todos, essa vez mudou tudo...


Cada dia é uma nova oportunidade de fazer as coisas diferentes.

21 de dez de 2015

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Você me fez perder o apetite. Eu tinha a minha comida favorita na minha frente mais a cada garfada eu queria vomitar. Como você vai dormir a noite sabendo que destruiu o dia de alguém? Não te dá uma dor no estômago quando você fere os sentimentos de alguém ou isso chega a te dar certo prazer? Te faz se sentir melhor? Bom, então deixe-me lhe dizer uma coisa, só se odeia no outro algo que odeia em si mesmo ou algo que você gostaria de ser. Foi como levar um soco no peito. Eu dei o meu melhor mas isso não foi o suficiente. Ser bom é muito mais difícil do que parece, antes de ser bom, precisa-se ser forte, pra ter certeza de que você é capaz de aguentar o tranco porque parece que a ruindade persegue o que é bom. Eles tentam te quebrar, te destruir, te botar pra baixo, isso mesmo, exatamente, tentaram me derrubar, mas se esqueceram que eu já estava no chão.

29 de nov de 2015

Diário de intercâmbio #8 Eu estou sofrendo bullying na escola




4 de nov de 2015

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Me disseram que meus sonhos não são dignos de ser vividos.
Me disseram que eu nunca seria capaz.
Me disseram que eu falharia.
Me disseram para desistir.
E veja só onde estou,
Exatamente
aonde disseram
que eu nunca chegaria.

3 de nov de 2015

Tá valendo a pena?

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É que eu deixei algo certo por um futuro incerto e só agora percebo que recomeçar do zero é mais difícil do que parece. Eu não sei se evolui alguma coisa até agora. Porque pra mim eu continuo a mesma de antes, não sou uma pessoa melhor. E pouca coisa mudou além do fato de eu estar vivendo em outro país. Eu continuo passando todo o meu tempo livre trancada dentro do quarto. A diferença é que no Brasil eu ainda tinha amigos pra vez ou outra sair de casa e ir em algum lugar, aqui, se eu quiser ir em algum lugar é sozinha. Odeio estar sozinha, odeio me sentir só. Não sou tão independente quanto pensei que fosse, eu preciso de alguém, entende? Alguém pra me segurar. Uma âncora. Sei que dizem "seja sua própria âncora" mas é mais fácil falar do que fazer. Sem alguém para me apoiar eu estou caindo aos pedaços. Vez ou outra tento fugir, mas para onde? Sentar nas escadas de incêndio não é exatamente uma fuga. Correr dos problemas é burrice mas eu não sei o que fazer. Não é só os problemas com as manias francesas que me irritam, a língua ou a comida, são os problemas internos também. Porque vez ou outra algo bom acontece mas tem tanta coisa ruim também que me faz pensar "Tá valendo a pena?" e eu sei lá se tá ou não valendo a pena, só sei que pro Brasil também não quero voltar, porque enquanto eu tiver aqui não preciso me preocupar com todos os problemas que deixei por lá, mas enquanto eu tiver aqui não dá pra fugir dos problemas daqui, então, o que eu deveria fazer? Mudar de país de novo? Pra que? Vai surgir problemas por lá também, parece que essas coisas me caçam. O problema deve ser eu. Eu queria dar uma melhorada, sério mesmo, juro que quero mas não faço ideia de por onde começar, é tanta coisa pra consertar que nem sei por onde começo e onde termino. Gostaria de começar sendo mais agradável, simpática, menos tímida, menos infantil mas até agora tô sendo a mesma Thayná velha de sempre e eu odeio isso porque esse intercâmbio era pra supostamente ser o ano em que tudo mudaria, em que nasceria um novo eu, o ano em que eu poderia ser quem eu quisesse, mas porra eu nem sei quem eu quero ser, não faço a mínima ideia do que quero pra vida. Eu queria só ficar sentada esperando pelas coisas acontecerem, mas isso de ficar aguardando pelas coisas é o que tá me matando.

16 de set de 2015

3 semanas na França e eu jantei com um cara super famoso

  
Foto: Arquivo Pessoal - Thayná Thoni
23 dias na França e eu ainda estou falando inglês. Algumas sentenças sei falar em francês e consigo também entender um pouco quando falam devagar comigo em Francês, a culpa é minha que continuo adiando, ás vezes olho pros papéis que recebo da escola e vejo tanta palavra que eu não conheço que me desanima, paro e penso "eu nunca vou aprender isso, é muita coisa pra se saber" e é verdade, eu nunca vou aprender nada disso se eu não me esforçar e tentar. Já estou quase completando um mês e decidi que é a hora de começar a me esforçar pra valer, espero que até o meu aniversário (18 de outubro) eu já esteja com um vocabulário melhor.

Mas agora, as novidades... Puxa, muitas, provavelmente nem vou lembrar de tudo, e também nem sei por onde começar... Bom, ok, vamos lá.

A primeira semana na escola foi a pior, eu me sentia excluída, estranha, uma intrusa, agora tem dado uma melhorada, não diria que já tenho amigos até porque amizade se leva tempo para construir mas existem algumas pessoas que posso chamar de colega. Mas é estranho, porque as vezes as pessoas falam comigo e me chamam pras coisas, tipo, sentar com eles e depois, no dia seguinte nem me cumprimentam. As vezes penso que eles devem me achar estranha também, devem pensar coisas do tipo "olha, lá vem a brasileira que fica seguindo a gente pra tudo quanto é lugar" porque eu realmente fico seguindo as pessoas pois nunca sei para onde ir e o que fazer, talvez eles me achem uma chata também porque estou sempre me convidando pras coisas "hey, posso ir com você?" "hey, posso te seguir?" ou as vezes nem peço, simplesmente vou atrás. Pois é galera, ser intercambista exige muita cara de pau.

A família me levou para conhecer a casa de campo deles no fim de semana retrasado e foi uma viagem bastante agradável. Estou morando no centro da cidade e as vezes é bom "fugir" pra um lugar mais calmo. Amo verde, amo mato, amo montanhas, amo paisagens, amo silêncio. Quando tava lá na casa do campo que fica em uma espécie de vila, aproveitei para andar por lá sozinha e encontrei um lugar no alto de um morro, vazio, sem casas por perto, sem ninguém, daí então sentei e fiquei lá simplesmente refletindo sobre a vida, pois as vezes gosto realmente de ter esses momentos reflexivos, tem gente que não gosta, mas eu amo ficar sozinha de vez em quando. Ficar sozinha é diferente de se sentir sozinha, me sentir sozinha eu já não gosto, é por isso que as vezes faz falta ter amigos. É que eu sou um pouco de tudo, acabei de falar ali em cima que amo verde, silêncio, ficar sozinha, etc, mas também adoro morar no centro da cidade, gosto de um barulho e amo ter alguém pra passar o tempo. Depende muito do momento, as vezes só quero ficar trancada no quarto sem fazer nada, as vezes quero ter alguém pra conversar.

Uma das coisas que eu mais sinto falta é de rir. Não é que eu nunca rio aqui, na verdade eu rio sim, mas desde que cheguei aqui ainda não ri até a barriga doer. Ou rir até chorar. Sinto saudades da minha sala de aula, dos meus amigos, dos meus professores. De fazer piada e ver todo mundo rir, e rir junto também, porque me desculpem mas eu sou o tipo de pessoa que ri da própria piada.

É tão difícil falar uma língua estrangeira, quando eu estava no Brasil eu vivia querendo ter alguém pra falar inglês mas tudo que eu quero agora é alguém pra falar português comigo, não há nada como falar na sua língua materna, aquela que você consegue se expressar perfeitamente. Sinto saudades de ser engraçada, de fazer os outros rirem, em português simplesmente fluí naturalmente, tudo me da inspiração pra uma piada, eu sempre tenho a resposta na ponta da língua, mas agora, contar piada em inglês é mais complicado, tenho que falar devagar se não eu me embolo, e até eu concluir a sentença, a piada já perdeu a graça. Até agora, a única piada que eu contei aqui em inglês e realmente deu certo foi a do pinguim. Essa eu fiz com a host family e foi muito engraçado.

Gente, preciso contar isso também, eu tive que cozinhar pra eles! Meu deus, quase que arranquei todos os meus fios de cabelo, eu nunca tinha cozinhado pra ninguém antes, a não ser pra mim e minha irmã mais nova, então, eu fiquei pirada né, mas no final deu tudo certo, fiz macarrão e acredito que eles tenham gostado. Porque não sobrou nada, nem um macarrãozinho sequer pra contar história e eles disseram que adoraram, então, ponto pra mim!!!


12 de setembro de 2015 - BEST NIGHT EVER

Esse dia foi incrível, a família me levou para conhecer Lyon, no dia estava chovendo mas mesmo assim andei com a host mother e host sister pela cidade, elas me mostraram um monte de lugares, foi bem legal, mas o mais legal mesmo ainda estava por vir... De noite, fomos jantar em um restaurante e vocês não vão acreditar mas tinha um cara que é mega famoso aqui na França no mesmo restaurante, Sébastien Chabal, um jogador francês de rugby, mas o mais legal nem é isso, depois de eu e a família terminarmos o jantar, o chef veio na nossa mesa conversou com a gente e depois ele foi pra mesa do Chabal, sentou lá e ficou conversando com ele, aí veio uma outra mulher que trabalha no restaurante falar com a gente, aí disseram que eu era brasileira pra ela e essa mulher virou pro chef e falou "Chef, olha aqui, ela é brasileira" aí o chef que tava conversando com Chabal olhou pra mim e o CHABAL TAMBÉM, ele olhou nos meus olhos, gente, morri, esse cara mega famoso aqui na França sabe que eu existo, ele olhou nos meus olhos, não uma, mas duas vezes, senti até uma conexão, próximo fim de semana tô indo lá na casa dele participar de um churrasco na laje (brinks) mas gente, foi demais, por um momento eu é quem me senti famosa, porque o restaurante parou pra ver "a brasileira", até esse cara super famoso pegou e olhou pra mim, tive meus 5 minutos de fama, INCRÍVEL! Naquele momento senti que nasci pra isso, ser famosa é meu destino, MAKE ME FAMOUS! UHAEUHAHA Esse sim foi um ótimo dia para se estar viva.


Dia 15 de setembro tivemos um "dia de integração" da escola, fomos para um lago e tivemos que fazer um monte de atividade física, e detalhe: EMBAIXO DE CHUVA! Eu já lá não sou fã de tudo que me requer mover um dedo e ainda inventam de fazer esse tal dia de integração logo em um dia chuvoso??... mas era obrigatório, então tive que ir, aqui a escola não é igual no Brasil que a gente pode faltar e fica tudo bem, e a escola ainda tem que dizer que quem for ganha ponto extra, porque se não, do contrário, quase ninguém vai, tipo hoje, tive que ir na escola para assistir apenas UMA aula (de espanhol) se fosse no Brasil é com toda certeza que eu teria faltado, falaria pra minha mãe "ah mãe, amanhã é só uma aula, me deixa faltar" e então eu ficaria em casa, mas aqui é tudo cheio de regrinha, pra faltar eu ia precisar de um bom motivo pra entregar escrito e assinado pelos host parents na escola. E querer ficar em casa dormindo não parece ser um motivo aceitável.

Sinto que estou esquecendo de contar alguma coisa mas já tá bem tarde aqui então é melhor eu encerrar o post por hoje, se eu lembrar de mais alguma coisa pode ter certeza de que venho contar ;)

Me desculpem por não ter postado fotos ainda, tenho bastantes mas a preguiça de passar pro computador, editar e postar... domina! Me acompanhem pelo instagram e snapchat, ambos são @thaynathoni neles é mais fácil de postar, então acabo sempre postando nos dois primeiro, tô sendo bem ativa lá no snap, sempre tô postando algo novo, então, se vocês quiserem ficar por dentro... já sabe né


falows, à bientôt

2 de set de 2015

Première semaine en France

Foto: Arquivo Pessoal - Thayná Thoni

Antes eu estava contando os dias para chegar na França, agora, conto os dias em que já estou aqui. 25 de agosto foi quando tudo começou. E tudo é tão diferente do que eu sempre imaginei. Hoje, completam 7 dias em que estou vivendo essa nova realidade. É um país tão diferente, a cultura, os costumes, a comida, as pessoas. É louco viver e ser parte de uma família que até pouco eu não conhecia. É uma loucura maior ainda viver em um país o qual eu nem sequer falo a língua. Mas se tem uma coisa que eu acho incrível é viver aqui e aprender algo novo cada dia. É estranho quando você se encontra com a família pela primeira vez, não saber como agir, o que dizer, se abraça ou dá dois beijinhos nas bochechas. Os primeiros dias são os mais estranhos. Eu nunca sabia como agir ou o que fazer, então eu os observava e tentava imitar o que eles faziam. Mas mesmo assim, não escapei de cometer algumas gafes. Pensei estar colaborando ao retirar a mesa e acabei descobrindo que iríamos precisar do garfo e faca para o próximo prato. Fiquei na dúvida se eu podia tomar banho pelo segundo dia seguindo e perguntei "posso tomar banho hoje mesmo tendo tomado ontem? sei que vocês franceses não tomam banho todo dia e tals" e recebi como resposta o seguinte "nós tomamos banho todo dia sim". Fui tentar contar uma piada brasileira e percebi que ela não funcionava em inglês, mesmo assim, todos riram para não me deixar tão sem graça. Então, eles são legais. Adoro minha família. Eles são super gente boa. Sentamos todos os dias juntos para almoçar e jantar e conversamos sobre vários assuntos. O que eu acho muito louco aqui é eles comerem pão no almoço e na janta. Quatro coisas são sempre a mesma no almoço e jantar, sempre tem água, pão, queijo e iogurtes, sempre, tipo sempre mesmo. E a comida é tão diferente da brasileira. O gosto é mais fraco, a comida brasileira é mais temperadinha e as coisas também são mais bem passadas. Aqui eles são bem saudáveis, comem muita salada e peixe. E tenho comido de tudo, é para experimentar o novo que eu escolhi fazer intercâmbio, não é? Intercâmbio é totalmente sobre isso, você tem de estar aberto a novas experiências. Essa primeira semana foi ótima. A adaptação tem sido boa. Estou em um outro país e me sinto tão normal, a euforia já passou, a saudades ainda não apertou, então, por enquanto nada de homesick. O jet lag talvez ainda continue, não tenho certeza pois estou sempre dormindo tarde aqui mas no Brasil sempre foi a mesma coisa também...
Nas conversas durante o almoço e jantar cada vez aprendo mais sobre a França e ensino um pouco sobre o Brasil também, falamos sobre as diferenças, sobre a cultura, sobre tudo, é bem legal eles se mostrarem interessados em saber um pouco mais de onde venho e de como era minha vida antes de vir parar na França. Também acho o máximo quando eles perguntam sobre alguma palavra em português.
A família aqui fala inglês pois já moraram alguns anos nos EUA e é em inglês que conversamos, mas algumas coisas mais fáceis e básicas, eles chegam a falar comigo em francês. Quando não entendo alguma coisa eu sorrio e balanço a cabeça #semerro, sempre funciona. É só ser simpática e voilà! 
Acho que a ficha ainda não caiu de que estou na França, tudo mudou mas eu me sinto normal, não me sinto estranha como se não pertencesse aqui. As coisas são muito diferentes mas eu estou ok com isso. Me sinto bem. Estou alegre.
Tenho o meu próprio quarto. Uma cama grande de casal. Uma janela deitada com uma vista maravilhosa. Uma poltrona a qual estou ansiosa para ler um livro em francês sentada nela com a luz do sol brilhando atrás de mim. Adoro aqui, mas se tem uma coisa que acho estranho... A privada fica separada do chuveiro. Tem o toilette, com a privada, papel higiênico e sem lixo. E tem o banheiro com o chuveiro, banheira, pia, lixo (?). Ainda não entendi isso direito. Pra mim o lixo está no lugar errado, deveria estar no toilette, junto com a privada e não com o chuveiro. Esses franceses...
No fim de semana teve o Rotex meeting do meu distrito (1740), que é praticamente um encontro de intercambistas, os franceses que já fizeram intercâmbio (rebounds) e os que estão começando o intercâmbio (inbounds) que é o grupo que eu faço parte. Ficamos em um hotel de frente para um lago, Lac du Chambon, mas os franceses estavam chamando este lago de praia, tipo, oi??
Nós, intercambistas, ocupamos um apartamento de três andares inteiro e foi bem divertido. Ficamos a madrugada inteira acordados, conversando, fazendo nada, rindo, zoando... Em dois dias de Rotex meeting, o total de horas de sono que eu tive foram sete. Dormi três horas no primeiro dia e quatro no segundo. Em compensação, depois do Rotex meeting dormi pra caramba. A volta inteira de carro pra casa, depois quando cheguei, só jantei e fui dormir de novo pra acordar onze horas do dia seguinte. Foi um fim de semana cansativo mas muito divertido. Conheci duas brasileiras e andamos juntas o tempo todo. Elas são demais, rimos muito, conversamos e já estamos até bolando de nos encontrarmos de novo, tipo, ir cada uma na cidade da outra. Vai ser top. Zoamos muito também #brazucas. Era o máximo falar em português sem que os outros entendessem. E zoar as pessoas também. Tinha umas taiwanesas muito engraçadas, zoamos muito com elas, elas disseram coisas em português, fizemos vídeos e essas coisas. Foi o máximo. Já sinto saudades desse fim de semana.
A única parte ruim é a escola, é o pior de tudo. As aulas começaram dia primeiro e agora no início, na verdade nem está tendo aula, é apenas os professores falando o tempo inteiro coisas que não entendo. A escola é gigante também, sinceramente não sei andar sozinha por lá, minha sorte foi ter conhecido Garance um dia antes das aulas começarem, ela é sobrinha da minha 2ª host mom e é um anjo. Ela me ajudou muito esses dias, ela entende um pouco de inglês então tem sido uma amigona. Se ofereceu pra ir comigo pra escola no primeiro dia e no segundo também. Saímos juntas de tarde para fazer compras, almocei no restaurante do pai dela e ela inclusive me convidou para conhecer sua casa. Também me apresentou para uma amiga dela, Luna, que está na mesma classe que eu e apesar dessa amiga dela não falar inglês, foi muito bom tê-la conhecido, ela parece ser super gente boa também e eu a tenho seguido para tudo qualquer canto, mesmo sem trocarmos muitas palavras (por que não conseguimos nos entender) ela tem me ajudado bastante. Com gestos ela tenta me explicar o que devo fazer, para onde devo ir e é legal ela estar me ajudando. Então, Garance e Luna tem sido ótimas comigo e estou muito grata por isso. É realmente bem difícil para eu falar e entender francês, não sei nada além do básico, dos cumprimentos (bonjour, merci, pardon, je m'appelle Thayná). Outra coisa sobre a escola, as carteiras são em dupla e todo mundo vai bem chique, tem menina que vai de saia, vestido e até salto. Várias também usam maquiagem (e forte), então tenho me sentido igual uma batata vestindo moletom e calça jeans e já até liguei pra minha mãe no Brasil pra chorar um dinheirinho pra comprar roupa. No Brasil, sempre reclamei dos uniformes mas agora que não os tenho, queria que tivesse, por que escolher todo dia uma roupa diferente pra usar é um saco.
Já está ficando tarde por aqui, então vou encerrando esse post, acredito que tenha sido um bom resumo da minha primeira semana... logo, logo, venho trazendo mais novidades, fotos, vídeos, tenho muita coisa pra postar ainda, então é só continuar acompanhando!

Me acompanhem também pelo instagram e snapchat, ambos são @thaynathoni

20 de ago de 2015

4 Jours ✈️ France


Hoje foi um dia cheio. Na escola aconteceu algo que eu realmente não previ. Eu pensei que a surpresa fosse uma coisa, chegando lá, foi outra, muito melhor do que eu jamais poderia imaginar.



Eu tenho os melhores melhores amigos do mundo. Eu tenho a melhor turma do mundo. Caramba, como eu vou sentir saudades de ir a escola, conversar, rir, estar perto dessa galera que eu amo. Acho que eu ainda não tinha percebido o quanto de saudades eu vou sentir até hoje, a saudades que eu vou sentir é tão imensa que não vai nem caber no peito. Eu amo eles. Alguns ali eu conheço desde os meus quatro anos, eu cresci com eles, eu amadureci com eles, eles são as pessoas mais próximas de mim, eles me conhecem melhor que qualquer outro. Eu queria, mas queria tanto, tanto, poder leva-los junto comigo.  É tão difícil dizer adeus para aqueles que você ama e eu os amo tanto. Não tinha noção do quanto até o momento em que eu comecei a chorar na frente de outras pessoas mesmo odiando fazê-lo. 



É que hoje foi incrível e péssimo ao mesmo tempo. Incrível porque eu tive um dos melhores momentos ao lado dos meus amigos. Péssimo porque a ficha finalmente caiu e isso não é uma coisa boa. Meu deus, por dez meses eu vou estar longe de tanta gente que amo. E nesses dez meses tanta coisa vai mudar. Eu vou estar do outro lado do atlântico, vivendo uma nova vida, enquanto, aqui, meus amigos continuaram todos juntos vivendo suas vidas também, sem mim. Eles vão criar novas boas memórias nas quais eu não vou estar presente, memórias das quais eu gostaria de fazer parte. Eles vão ter novas piadas internas as quais eu não vou entender, mas queria poder rir junto. Eles vão combinar novas viagens e se divertir lembrando de histórias que eu poderia estar incluída mas não irei. Eles vão achar graça de algo e o motivo não vai ser que eu fiz uma piada...



Intercâmbio sempre foi meu sonho. Nunca pensei duas vezes sobre fazer intercâmbio, até agora. Eu vou perder tanta coisa. Eu queria que isso não fosse tão difícil mas a vida é sobre tomar decisões difíceis, as vezes você precisa se decidir entre maravilhosas escolhas e as vezes ambas as opções são péssimas. Você sempre saí perdendo alguma coisa. Pra ganhar, você precisa perder primeiro e isso é tão injusto, não é? Porque eu não posso ter tudo? Meus amigos? França? Tudo junto? Nunca pensei que fosse tão amada, mas quando vi hoje todos aqueles rostinhos vermelhos e olhos molhados eu tive a certeza de que escolhi as pessoas certas pra minha vida, eu não estava chorando sozinha, eu tinha mais gente ali comigo. Eu não vou ser a única a morrer de saudades. Eu sou tão estúpida por deixar isso tudo pra trás por dez meses. 

E se eu estiver errada? E se continuar aqui for melhor? Eu não quero deixa-los. Eu mal consigo colocar no papel o que eu tô sentindo agora, não estou mais ansiosa para a viagem, no momento tudo que consigo pensar é em aproveitar esses últimos dias ao máximo com meus amigos. Quero passar sexta, sábado e domingo do lados deles, sem desgrudar nenhum segundo. Eu já chorei tanto hoje e ainda vou chorar tão mais. Já não posso mais ouvir I lived de OneRepublic sem começar a chorar, foi essa música que tocou no vídeo que fizeram pra mim e agora é impossível ouvi-la sem passar um filmezinho na cabeça. No momento, estou aqui sentada no chão com o notebook no colo e fones de ouvido no máximo, com meu coração chorando e os olhos vermelhos, porque dói, e muito. O quão sortuda eu sou por ter algo que faz dizer adeus tão difícil?



I was here
I lived, I loved
I was here
I did, I've done
Everything that I wanted
And it was more than I thought it would be
I will leave my mark so everyone will know
I was here


18 de ago de 2015

6 Jours ✈️ France

Paris | via TumblrNaima Barcelona on Instagram: “

O dia já está quase acabando eu sei, mas não quero deixa-lo passar em branco porque hoje é dia 18 e faltam 6 dias para eu pegar aquela avião em Belo Horizonte e ver tudo mudar. Eu nasci no dia 18 e meu número da sorte é seis, gosto muito desses dois números por razões indefinidas e não quero deixar passar despercebida essa coincidência numérica. Hoje foi um dia especial pra mim. Fui na reunião do meu Rotary Club e descobri sobre duas surpresas que estão preparando pra mim, bem, agora não são mais surpresas pois acabaram me contando sem querer, mas o que importa é a intenção, só de se importarem o suficiente pra planejarem algo já conta. Voltando ao assunto seis dias... Tá cada vez mais perto, tá parecendo cada vez mais real. A ficha ainda não caiu completamente. Exteriormente eu estou parecendo muito calma para uma pessoa que em seis dias vai deixar pra trás tudo o que conhece pra se aventurar no novo e desconhecido, mas internamente... Cada dia que passa mais ansiosa e nervosa eu fico. Meu deus, viver em um país que eu não conheço a língua? Morar com pessoas que eu nunca vi? Ir parar lá do outro lado do atlântico? Ficar um ano longe de casa? Sair nessa aventura sozinha? Meu deus, meu deus, aonde eu estava com a cabeça? Eu sou louca. Olha só tudo o que eu vou estar deixando pra trás, tudo o que eu vou ter que abrir mão. Construí uma vida por 15 anos apenas para abandona-la e criar uma outra por um ano! Sim, estou muito nervosa e talvez até com um pouco de medo do que está por vir, mas sabe como dizem “se seus sonhos não te assustam, eles não são grandes o suficiente”. E não importa se estou nervosa ou com medo, nunca tive tanta certeza de que quero algo na vida como quero esse intercâmbio. Só eu sei tudo que passei pra chegar até aqui, pra quem tá de fora do processo pode parecer fácil mas não é. Deu tudo errado antes de começar a dar certo. Ninguém faz noção de quantas vezes fui dormir chorando ou de quantas vezes fiquei olhando pro céu e implorando pras estrelas ou qualquer outra força maior desse universo que tudo desse certo no final e bom, no final eu ainda não cheguei mas só de ter conseguir chegar até aqui, nesse dia 18, faltando apenas seis dias para a minha viagem, sei que estou cada vez mais perto de realizar esse sonho, esse ano passou voando, já estamos em agosto e eu ainda me lembro de como se fosse ontem, eu, indo fazer aquela bendita prova do Rotary em Ponte Nova, parece ontem mas foi dezembro de 2014. Esse ano estive tão centrada em intercâmbio, era sempre tanta coisa na cabeça que esqueci de mudar as folhinhas do calendário e agora que está tão perto da minha data de partida, não parece que é verdade. Às vezes paro e me pergunto se estou sonhando, mas talvez o motivo disso tudo parecer um sonho é que de fato é. Acho que realizar um sonho te traz mesmo essa sensação indescritível de estar sonhando e vivendo seu sonho. 

10 de ago de 2015

14 Jours ✈️ France

Foto: Arquivo Pessoal (Thayná Thoni)

Duas semanas é muito tempo? Porque eu estou contando os dias e por mais que eles estejam diminuindo, o momento que eu tanto aguardo parece cada vez mais distante. Isso é real? Porque eu olho ao meu redor e tudo continua no mesmo ritmo. É difícil acreditar que em 14 dias tudo ficará para trás. Lima Duarte, eu nem gosto tanto de você mas acredito que você me fará um bocado de falta. Não nasci aqui, mas é onde fui criada. Foi aqui que errei e cresci com meus erros. Foi aqui que senti borboletas no estômago pela primeira vez. Foi aqui que fiz amigos. Foi aqui aprendi sobre as coisas. Foi aqui que me transformei em quem eu sou hoje, e por mais que às vezes eu gostaria de poder ser diferente, gosto de quem eu sou. Então, obrigada tão odiável e adorável lugar que deve deixar um pouco de saudades em mim.

6 de ago de 2015

18 Jours ✈️ France

davidvhd.tumblr.com

Acho que desde o início eu sempre soube que este seria um ano diferente. Um ano cheio de aprendizado e coisas novas. Um ano cheio de mudanças e descobertas.
Sinto a necessidade de expandir meus horizontes. Estou cansada da minha rotina, preciso sair da minha zona de conforto e acredito que esse intercâmbio que acontecerá daqui algumas semanas será uma grande oportunidade para isso.
Penso que este tipo de coisa já estava programado, escrito em algum lugar. Destino. É assim que as pessoas costumam chamar essa fatalidade de as coisas estarem todas designadas.
Nunca acreditei tanto em destino como acredito agora. Esta crença é o resultado de tudo que tem acontecido ultimamente comigo. Tanta coisa chegou a dar errado mas no final tudo sempre se resolveu. As dificuldades foram apenas um teste para ver se eu aguentava o tranco, pois bem, eu consegui. Daqui a exatamente 18 dias eu vou pisar em solo europeu. Pela primeira vez na vida eu vou andar de avião. Pela primeira vez na vida eu vou ir além da região sudeste. Pela primeira vez na vida eu vou sair do Brasil. Pela primeira vez na vida eu vou morar em um país estrangeiro. Pela primeira vez na vida eu vou ter a oportunidade de ser alguém completamente diferente. E existe uma coisa sobre primeiras vezes que as tornam especiais, elas são inesquecíveis. 


"Qual foi a última vez que você fez algo pela primeira vez? Sair da zona de conforto te faz viver experiências inesquecíveis e muda o jeito que você enxerga o mundo ao nosso redor. Não dá pra garantir que será perfeito e exatamente como imaginamos, mas pelo menos você terá riscado um item da listinha de coisas que sempre teve vontade de fazer e ainda terá boas histórias pra compartilhar." 

3 de ago de 2015

21 Jours ✈️ France

Tumblr 

Que louco. Parece que foi ontem que eu começava a contagem regressiva nos “100 dias”. Agora faltam 3 semanas. Exatamente 21 dias. E o tempo passou tão rápido, está cada vez mais próximo, mas me parece que ainda não caiu a ficha direito do que está acontecendo e do que está para acontecer. Acho que eu só vou me dar conta de que tudo isso é real no momento em que eu botar meus pés em solo europeu. No momento em que eu ouvir pessoas ao meu redor falando em uma língua que não compreendo. No momento em que eu tiver dúvidas e não saber a quem recorrer. No momento em que eu pensar em pedir ajuda pra minha mãe e ela não estiver lá. No momento em que eu me der conta que estou por mim mesma. No momento em que eu me der conta de que é tudo ou nada. Ou eu crio coragem ou eu não saio do lugar.

2 de ago de 2015

22 Jours ✈️ France

I wanna go there😍August

Nem parece real que eu vou para a França em poucos dias, sempre estou falando sobre esse intercâmbio com as pessoas e ando sempre super ansiosa mas mesmo assim parece que a ficha ainda não caiu. O tempo tem me deixado louca. Às vezes é tudo muito lento, às vezes rápido demais.
Lento quando o que estou contando são os dias para chegar a desembarcar na França e começar uma vida nova com pessoas novas. Rápido demais quando penso no dia em que terei que me despedir daqueles que amo e que ficarão longe de mim por um ano. O oceano atlântico vai ser pequeno em relação à tamanha saudade que eu vou sentir do meu país e das coisas daqui.
E minha maior expectativa é que seja um ano de muito aprendizado, espero poder narrar para vocês essa experiência, quero eternizar cada momento com palavras e fotografias, pois elas superam o tempo. E então, no fim de tudo isso, no fim de toda essa minha loucura de abandonar uma vida no Brasil para ir para um lugar completamente diferente, eu irei olhar para trás e pensar “Puxa, como tudo mudou”.
Esse é um recomeço. Uma nova chance.
Poderei ser alguém diferente porque essa é a melhor oportunidade que eu poderia receber, não existe melhor chance de se tornar alguém melhor se não indo para um lugar desconhecido com pessoas que pensam diferente que você e tendo que aceitar novas regras e hábitos, aprender certas coisas na marra. Mudar a maneira de ver o mundo.
É mais fácil mudar quando ninguém te conhece, quando as pessoas não têm uma opinião formada sobre você, é mais fácil mudar quando VOCÊ quer mudar e se esforça para isso, é mais fácil mudar quando você já tem uma vontade para isso. Querer. Na maioria das vezes, basta querer.
Sei que nada disso será fácil, porque se não for difícil, você provavelmente está fazendo do jeito errado, é um longo e árduo caminho pela frente mas eu prometo dar o melhor de mim. É o que quero e mesmo quando os tempos ficarem difíceis eu não vou desistir. Não cheguei até aqui pra abandonar o barco no meio do caminho.

Um abraço, 
Thayná Thoni! 

17 de jul de 2015

Sobre ser uma intercambista do Rotary

Heta's dream

Hoje eu vou contar pra vocês a história do meu pré-intercâmbio.

No intercâmbio do Rotary tudo começa quando você faz sua inscrição e fica naquela tensão de ter que estudar para a prova a qual você nem sabe direito quais matérias vão cair. Então você estuda tudo e nada e chega no dia de fazer a prova fica naquele nervosismo. Depois de fazer a prova você fica torcendo para ter ido bem e ao mesmo tempo preocupada de não ter ido bem o suficiente, porque quanto maior sua nota, maior serão as opções de países para você escolher. E convenhamos, todo mundo já tem suas preferências de países e na maioria das vezes, o país que a gente quer é o mesmo que todo o resto quer também. O Rotary te deixa ficar algumas semanas tensa com aquela prova na cabeça e só depois de um tempo uma nova reunião é combinada para a divulgação de notas e escolha do país; Mas antes disso, você começa a preencher formulários, o famoso "application form" e você se estressa com todas aquelas chatices de recolher assinaturas de um punhado de gente, termos de compromissos, exames médicos, se preocupa com o fato de não ter a mínima ideia do que escrever na carta para sua futura host family, porque tudo que escreve sempre parece não estar bom o suficiente e você quer ter certeza de que eles vão gostar de você, etc etc. Você faz uma vez o AF, refaz outra, e outra, porque toda vez alguma coisa saí errado, falta assinatura de fulano, falta tal documento, falta isso e aquilo, e só depois de várias tentativas, felizmente tudo se resolve. Depois de tudo certo com seu AF ele é enviado para o país escolhido e então você começa a roer as unhas esperando sua vaga ser confirmada e o primeiro contato com a host family. O tempo parece se arrastar e você já não aguenta mais esperar quando finalmente você entra no seu email em um belo dia e vê aquela tão esperada mensagem. São seus hosts, e eles queriam se apresentar e dizer um oi. Você grita, chama sua família inteira pra ver o email e com um sorrisão no rosto começa a escrever um email de resposta, diz o quanto está animada para conhecê-los, tenta esticar algum assunto para continuar conversando. Tem mil perguntas, sobre a cidade, sobre a escola, a rotina da sua futura família, o que eles gostam de fazer, (onde vivem, o que comem, sexta no globo repórter, zoas kk) e mal sabe por onde começar. Apesar de estar morrendo de curiosidade e querendo saber de tudo nos mínimos detalhes, não quer ser chata e acaba não fazendo tantas perguntas quanto gostaria. E no Brasil, todo mundo quer saber quem são sua família e pra onde você vai. E você tenta não se extravasar demais falando sobre isso toda hora, apesar de intercâmbio ocupar sua cabeça em 99% do tempo, pois sabe que apesar dos outros estarem curiosos sobre sua futura estadia no exterior, eles não intenderiam toda sua animação e entusiasmo pra falar sobre o assunto e começariam a pensar que você está sendo metido e querendo aparecer se continuar falando sobre intercâmbio a todo momento, então você se controla e tenta falar de outros assuntos também, mas não tem jeito, logo você recebe seu guarantee form, é impossível tirar o intercâmbio da sua mente, precisa comprar sua passagem e começar os preparativos pro visto, pois seu GF chegou e ele garante que você vai realmente fazer o intercâmbio, agora é tudo mais real, os dias estão passando rápido e em pouco tempo você estará chegando em um país completamente novo e diferente do seu. São dias estressantes e de pura ansiedade. Você marca seu visto e se assusta quando vê no site o tanto de documentação necessária, se desespera um pouco mas a única opção é cair de cabeça em toda essa amolação, os dias estão passando cada vez mais depressa, a data de viagem chegando e o tempo ficando curto, você precisa tirar logo seu visto, antes que seja tarde demais. Liga para o consulado para tirar uma dúvida, manda email para tirar outra e quando você acha que está tudo certo, se dá conta que ainda tem dúvidas e documentos faltando. É muito estresse, é verdade, mas você sabe que, no final tudo isso vai compensar. Então, pra finalizar este post eu gostaria de lembrá-los:

 Rotary!
mantenha-se calmo e SEJA UM INTERCAMBISTA DO ROTARY!!!!

texto baseado nas minhas experiências pessoais mas espero que mais gente se identifique

25 de jun de 2015

maybe we're meant to be

thelovelyhugs | whi

Eu nem te conheço e possivelmente já estou apaixonada por você. Como? Sinceramente eu não sei. Nunca vi seu rosto mas eu penso muito frequentemente nele. Te imagino de mil formas, de mil jeitos, de mil maneiras. E em todas essas formas, não importa como, eu sempre acabo gostando de você. Será que o universo tá tentando me pregar uma peça? Será que estamos destinados e não importa como, vamos acabar juntos? Eu já não sei  mais o que dizer e nem o que sentir. Estou sendo aterrorizada por estes pensamentos, porque ao mesmo tempo em penso o quão bom poderia ser nós dois, também penso na tragédia que poderíamos acabar sendo. É que tu sabe, você poderia ser a minha destruição,  a sua, a nossa destruição. E eu realmente não sei o que fazer. Já tomei tantas decisões erradas na vida que dessa vez eu vou deixar essa pra você. Mesmo que eu sinta que estejamos interligados de alguma maneira, mesmo tendo esse sentimento me impulsionando pra você, mesmo tendo o breve pressentimento que tudo isso é algo mútuo, eu vou deixar tudo com você, porque se for pra botar a culpa em alguém no final, que seja tua culpa, não minha.

17 de jun de 2015

Eu não sou um "tipo"

Deep sea baby, I follow you

Eu odeio estereótipos. Odeio essa mania das pessoas de colocarem rótulos em tudo. Odeio quando pensam que acham que "tipo" de pessoa eu sou. Eu sou divergente, não posso ser controlada rotulada!!!! Nunca diga que eu sou o tipo de pessoa que... sei lá o que. Eu não sou tipo algum. Se for pra me rotular diga que eu sou o tipo Thayná Thoni e não existe outra pessoa igual a mim. Porque é exatamente isso que sou. Eu. Thayná Thoni é quem sou. Posso não ser o que você esperava e eu realmente não gostaria de te desapontar, então, nunca, em hipótese alguma, me compare com outro alguém pois eu tenho certeza que você irá cometer um grande engano. Porque eu mudo o tempo todo, posso ser o "tipo" boazinha uma hora e depois ser a garota que todos acham cruel. É por isso que eu não me encaixo em um tipo. É que eu sou várias coisas ao mesmo tempo. Não dá pra me definir em um só tipo, tentar me definir com uma única palavra é bobagem. Fofa, grossa, legal, chata. Eu sou tudo isso ao mesmo. Nem tente me encaixar em algum "tipo" de pessoa, porque no momento em que eu ouvir "pensei que você fosse diferente", você perderá todo o meu respeito, ou algo como "não esperava isso vindo de você", só te digo que, se não tivesse criado na sua cabeça um grupinho de pessoas pra me encaixar, você não teria esperado nada de mim. Porcamente me rotulou e ainda por cima errou, já que eu nunca me encaixei em um "tipo" nem nunca irei.

6 de mai de 2015

Silky Sand | via Tumblr

Eu nunca tive coragem de abrir a minha boca perto dele por medo de que ela ganhasse vida própria e dissesse tudo que eu estava com medo de dizer. Sempre me chamaram de egoísta, mas não conta-lo o que eu realmente sentia provavelmente foi uma das coisas mais altruístas que eu já fizera. O poupei da mesma da mesma tristeza que eu sentia. O livrei de ter que sofrer por esse sentimento da mesma forma que eu sofria. Mantive segredo para que ele não me deixasse entrar na sua vida, seu mundo, seu coração. Fiz o que fiz porque era o certo a se fazer. As vezes me arrependo das minhas escolhas, as vezes não. Mas no fim eu sei que foi melhor assim. Nós eramos crianças. Crianças aprendizes do amor. Não era a hora e nem o lugar certo. Não estava preparada para pagar o preço de algo tão proibido e errado assim. As coisas foram melhores dessa forma. É desse jeito que precisava ser. Talvez eu esteja errada, e isso não seria grande novidade, sempre cometo erros, sempre estou errando, mas agora não existem voltas de qualquer maneira. E mesmo se houvesse, eu não o amo mais. Ou talvez ame. Não sei. Guardo sentimentos tão a fundo que as vezes me esqueço que eles estão ali. Amo as pessoas e depois não as amo mais. Ás vezes também penso que não as amo mas eu ainda faria de tudo por elas. Acho que as pessoas poderiam considerar isso como amor, ou loucura. E quem sabe amor não é isso mesmo? Ser louco o suficiente para colocar um outro alguém sempre em primeiro lugar. Pensar não no que é melhor para você, mas sim no que é melhor para quem você ama. Ah, nem sei se o que estou dizendo tem alguma lógica, sou confusa, na maioria das vezes nem eu me entendo. Digo coisas que não fazem sentido. Vivo me contradizendo. A única coisa que quero acreditar é que estou certa. Fiz o que era necessário, e é isso. Tudo certo. A vida continua. Vamos nos deixar se apaixonar mais uma vez e escrever mais um punhado de textos inconclusivos para alguém que nunca irá ler.

26 de abr de 2015

Chins up, smiles on

life's a nightmare
Escutei atentamente enquanto ele falava aquelas palavras cruéis e coloquei meu melhor sorriso no rosto fingindo não me importar. Escutei calada cada uma daquelas palavras e não fiz nada enquanto elas me atingiam e eu fingia que não. Quando todos riram, eu ri junto pois era a única forma de fazê-los acreditarem que aquilo não tinha me afetado de fato. Não é como se eu fosse chorar na frente de uma platéia e deixar que eles descobrissem o quão sensível eu sou por trás de todo esse orgulho e presunção. É esse meu jeito de tentar parecer ser forte o tempo que está acabando comigo. Dar uma de arrogante para que ninguém perceba o quanto eu estou quebrada por dentro. Porque eu acho inadmissível deixar que alguém saiba minhas fraquezas. Isso só me faria me sentir ainda mais fraca. O quanto eu me importo quando finjo que não, o quanto eu me apego fácil mesmo sabendo que não deveria, o quanto eu lembro de tudo quando o que eu mais quero é simplesmente deixar pra lá, o quanto eu choro por ser muito emotiva. Sensível demais apesar de aparentar ser durona. Visto indiferença como armadura e uso arrogância como uma arma para tentar me proteger. Eu escondo a verdade em meus olhos e revelo a mentira nos lábios. Fingir não me importar é uma coisa minha, que faço quase todos os dias e finjo tão bem que as vezes chego a acreditar que realmente não me importo, mas mentir pra si mesmo é sempre a pior mentira, porque quando vêm aquele choque de realidade, aquele momento em que todo seu mundo caí de uma só vez, é pior. Porque é nesse momento que tudo aquilo que você ignorou, ou tentou, ou pelo menos fingiu ignorar, volta, e volta com tudo. Só pra te deixar ainda mais pra baixo. Porque a vida é covarde, não é justa, aquela frase que você já ouviu de "nunca bater em um homem que já está caído" a vida não respeita. Quando você estiver caído é aí que a vida vai te mostrar que ainda tem como piorar, e vai. Você vai chegar no que pensava ser teu limite. Você caí, chega no fim do poço e sua única opção é se levantar, colocar um sorriso no rosto, fingir que tudo está bem e se recuperar só para estar preparado pra quando a vida te bater de novo, vai ser com mais força, e você vai chegar a pensar que não é capaz de aguentar tudo isso outra vez, vai querer desistir de tudo, botar um ponto final, mas daí tu olha pra cima e alguma coisa te dá forças para continuar, e esse tiquinho de esperança é tudo o que você precisava para superar seus próprios limites e descobrir que é mais forte do que imagina. Você pensa que não é capaz de sair vivo dessa, mas se surpreende. Seu maior sinal de força é conseguir passar por tudo isso sorrindo, mesmo quando tudo está definitivamente nada bem. É aí que percebemos que somos muito mais fortes do que pensamos e aparentamos ser.

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