25 de abr de 2016

8 mois en France

b&w, limoges, and cathedral image

Intercâmbio é nada daquilo que a gente já imaginou mas tudo aquilo que a gente sempre precisou. Nesses 8 meses eu não só aprendi mais sobre mim mesma mas também sobre o mundo e as pessoas. Não importa aonde você esteja, algumas coisas serão sempre as mesmas. Tem gente de tudo quanto é tipo em tudo quanto é lugar. As coisas são diferentes apesar de muitas outras serem iguais.
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Os primeiros três meses foram definitivamente horríveis, eu costumava pensar muito mais no Brasil e na vida que eu tinha lá, eu chorava quase todos os dias e eu odiava tudo aqui. Eu queria voltar. Eu quis tanto desistir. E eu realmente quase o fiz… Lembro-me de um dia ir a catedral à noite e me sentar sozinha no escuro perto de onde havia uma fonte e chorar por 30 ou mais minutos. Eu nem me lembro exatamente os motivos que me levaram a fazer isso mas aquele dia tudo estava indo realmente muito mal e eu não contei para ninguém. Nem pra minha família e nem meus amigos. Eu achava que ninguém me entenderia. Essa era a minha vida, a minha luta, ninguém conhecia exatamente pelo o que eu tinha passado e pelo o que ainda estava passando, eles não entenderiam meus motivos. Foram pequenas coisas que me aconteceram e se acumularam até que em um momento eu já não podia mais aguentar. Já eram quase oito horas da noite e eu recebi uma mensagem no meu celular da primeira família perguntado onde eu estava, me dizendo para voltar para casa. Casa. Essa palavra machucou. Eu quase chorava toda vez que a escutava porque na verdade aquele lugar não era minha casa e aquelas pessoas não eram a minha família. Nada se encaixava, eu não sentia como se pertencesse ali. Eu respondi a mensagem com um “estou indo”, limpei as lágrimas e reuni o que me restava de forças para levantar dali. E quando me levantei e olhei para trás me deparei com aquela vista que tanto amo, do alto da catedral eu enxergava a cidade iluminada por todas aquelas luzes artificiais e o barulho de água caindo ao meu lado… O barulho de buzina dos carros, tantas vidas acontecendo ali, em frente aos meus olhos. Eu queria ir embora pro Brasil e de repente já não queria mais. Por que na verdade eu gostava sim desse lugar, enquanto olhava para a cidade, a minha cidade, eu via o quanto iria sentir falta desse lugar, então, foi nesse momento em que eu que nem sou tão crente, fechei meus olhos e fiz um pedido aos céus, um único pedido: “eu espero do fundo do meu coração que as coisas melhorem” e o pouco de esperanças e fé que me restavam foram o que me fizeram continuar e chegar até aqui. Os céus ouviram meu pedido e tudo mudou, tudo melhorou e disso eu tirei uma importante lição “tudo vai dar errado antes que as coisas comecem a dar certo” e a vida é realmente uma eterna lição. Agora que eu me sinto finalmente em casa, me sinto em família e sei que eu amo esse lugar com cada partícula do meu corpo, eu sinto que pertenço aqui, está é a minha cidade, a minha vida e eu não quero ter de ir embora  porque “home is where the heart is”. Eu me encaixo aqui.

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2 comentários:

  1. Não existe nada melhor do que a nossa casa. home sweet home. até

    jamilsonoliveirablog.blogspot.com

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  2. Ah, que delícia! Amo esses seus posts sinceros, mostram tanto de você. Eu estive torcendo por você quando as coisas deram errado e fico feliz agora que está tudo bem. Aproveita o tempo que tem aí, tenho certeza que isso vai ficar guardado para sempre. Beijo!

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