25 de jan de 2016

Am I too dumb to refine?



25/01/2016
Metade do meu intercâmbio já passou e agora estou praticamente na reta final. Eu só queria dizer o quanto estou feliz de estar aqui e o quanto me dói pensar que em menos de 5 meses estarei me despedindo de toda uma vida aqui para voltar ao Brasil e ver a mesma vida velha de antes com outros olhos. Isso me enche de calafrios e ansiedade. Meus amigos ainda estarão lá para mim? E se sim, será que eles mudaram tanto quanto eu mudei? E as coisas em casa? Será que algo mudou também?  Mas o que mais me assusta mesmo é a despedida. Eu sei que conheci pessoas maravilhosas aqui. Eu fiz amigos pra vida inteira que amo com todo o meu coração e só de pensar que em tão pouco tempos teremos que dizer adeus já me dá vontade de chorar. Por que a distância existe? Eu não quero ter que me separar deles. São pessoas que estiveram comigo nos meus melhores e piores dias, pessoas que fizeram parte do meu intercâmbio desde o início e que fizeram com que eu chegasse até aqui. Sem elas, eu teria desistido, eu teria voltado pra casa, eu teria feito minhas malas e embarcado num avião de volta pro Brasil. Só eu sei tudo o que passei e tive que aguentar aqui. Eu chorei pelos mais variados motivos. Eu cheguei a chorar não uma, mas várias vezes de fome. Sim, fome, está aí uma coisa que de todas as dificuldades que eu pensava que iria passar no meu intercâmbio eu não esperava. Eu sobrevivi três meses assim, as vezes com fome, as vezes mais ou menos, ok. O começo foi a parte mais difícil, eu pensei que não iria conseguir. Eu quis realmente jogar tudo pro alto e desistir. Eu odiei esse lugar. Eu odiava o país, a língua, a comida, a cultura, a escola, as pessoas. Eu sofri bullying, fui rejeitada, excluída e ignorada. E ninguém nunca percebeu o quanto eu estava mal, o que só me fez sentir pior ainda, era como se eu não importasse pra ninguém aqui, não me deram atenção, não deram a mínima pra mim. Simplesmente fingiram que eu não estava ali. Minha primeira família nunca me fez sentir em casa, somos pessoas realmente muito diferentes, crescemos em realidades diferentes e eu juro que tentei entende-los, eu me esforcei tanto. Eu sorri todos os dias porque isso parecia agrada-los, mesmo quando o meu mundo estava caindo aos pedaços eu estava lá, sorrindo, me sentando todos os dias para aquela porcaria de jantar de duas horas que era como uma tortura, falando de coisas que não me interessavam, rindo de piadas as quais eu não achava engraçadas, concordando com coisas que eu definitivamente não concordava, tudo isso só pra agrada-los. Eu fiz de tudo para agrada-los, eu tentei mudar quem eu era por eles pois sempre soube que se eu mostrasse o verdadeiro eu eles não gostariam. Eles não me conheceram de verdade e isso dói. Eu queria que eles tivessem me visto de verdade, queria ter mostrado a forma que eu vejo o mundo, eu queria tê-los ensinado um pouco mais da vida de quem não tem dinheiro jorrando para todos os lados. E é claro, metade da culpa é minha, foi eu que fiquei me escondendo e fingindo ser alguém que não era, mesmo com todas as vezes que tentei ser eu mesma e ganhei aquelas palavras e olhares de repreensão, eu devia ter tentado mais, agora, eles gostam de uma pessoa que eu não sou. Nessa brincadeira de fingir ser alguém que não era, eu acabei quase me perdendo. Quase me tornei aquela pessoa que eu fingia ser, eu estava me perdendo aos poucos e quando comecei a perceber isso, foi nesse momento que eu saquei que precisava ser quem eu sou de verdade, estava cansada de fingir, cansada de ser alguém que eu não era, cansada da vida que levava, então, tudo mudou, eu troquei de sala, eu troquei de casa e resolvi que seria quem eu sou, não importando o que os outros pensariam e eu tô bem "mais melhor" agora do que antes. Sei que "mais melhor" não existe mas se existisse essa seria a melhor forma de explicar minha situação agora, porque ela está mais que melhor, está BEM MAIS MELHOR. Eu já não odeio mais esse país. Eu gosto da cultura, das pessoas, da gastronomia, dos lugares, de tudo. Essa cidade é o meu lar. E cada pessoa que me deixou pra baixo alguma vez hoje me faz mais forte, pois eu estie sozinha e com duas opções: ou me levantar e seguir em frente ou ficar no chão. Me agarrei ao máximo no mínimo de força que eu tinha e me reergui. Eu não sou de desistir. Eu não desisto dos meus objetivos. Eu choro até não aguentar mais é verdade, mas quando as lágrimas secam eu sei que é hora de ser forte, é hora de colocar o sorriso no rosto e seguir em frente. Cada sorriso esconde alguma coisa, não só em mim, mas em todos e vai de alegria a tristeza, e os sorrisos são todos tão parecidos que fica até difícil saber qual é qual, por isso eu agora presto mais atenção nos olhos. Foi olhando nos olhos que percebi a verdade, é olhando nos olhos que se conhece alguém. Os olhos entregam o que a gente tenta esconder. A alegria, a dor, tudo. E a gente pensa que é melhor deixar tudo escondidinho mas estamos muito enganados. Teve uma vez que não aguentei o choro e as lágrimas caíram na frente de todos, essa vez mudou tudo...


Cada dia é uma nova oportunidade de fazer as coisas diferentes.

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Um comentário:

  1. Você é muito forte Thay, de verdade! Eu quero fazer intercâmbio ano que vem e sinceramente, não sei se saberia lidar com as coisas que passou. Mas o bom é que você conseguiu dar a volta por cima e não deixar que nada nem ninguém te impedisse de fazer isso ser maravilhoso. Então meus parabéns! Curte bastante aí seus últimos meses porque tenho certeza que é algo que vai permanecer pra vida toda. Um beijo!
    48janeiros

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